2.16.2012

geografia

no vale entre os seios
nasce a fonte
dos anseios.

2.01.2012

cerzidura

viro do avesso
o amor ruço e puído.
teço o recomeço.

1.16.2012

DESEJO

Lá nas ruínas empedradas
daquele convento,
onde o musgo e as samambaias
disputam as frinchas das paredes,
ouve-se o lamento
de um escravo penitente
fadado ao pelourinho.

É chicoteado pelas mãos castas
de uma freira louca de desejo
e fome de carinho.

Ela tem sede e bate.

Da boca salivada do negro
que esperneia e ora em desespero,
pudesse a freira - oh ventura! -
desfrutar um único beijo.

1.12.2012

filigrana

clave de bemol
meu nome e o teu
enlaçados no lençol.

1.11.2012

do pó ao pó

finda a fama
tirou a máscara
e chafurdou na lama

12.23.2011



PLANURA

Como João,
Mune-te de formões e facas,
plainas e serras,
prumos e réguas,
máquinas se preciso for.

E, neste Natal,
aplaina os caminhos que levam ao coração e à mente.
Rasga córregos nas colinas secas do rancor,
abre fontes nos vales do preconceito,
deixa minar a água pura sobre
as raivas e ressentimentos.
Rebaixa as montanhas escuras do orgulho
e endireita as passagens tortuosas das culpas.

Assim,
plano e pleno,
vale aterrado e veredas alinhadas,
verás,
como musgo brotar na pedra
Jesus nascer no teu coração.

11.12.2011

DESMANDO

Quando o ipê amarelo floresce
em rendas de fino gosto,
ao longo dos antigos trilhos,
é como se alguns bailarinos
da pintura de Matisse,
dançassem como protagonistas
desse singular balé de rua.
Dançassem sem música ou bilros,
dançassem como se ninguém pedisse.


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