12.23.2009


PLANURA

Como João,
Mune-te de formões e facas,
plainas e serras,
prumos e réguas,
máquinas se preciso...

E, neste Natal,
aplaina os caminhos que levam ao coração e à mente.
Rasga córregos nas colinas secas das culpas,
abre fontes nos vales do preconceito,
deixa minar a água pura sobre
as raivas e ressentimentos.
Rebaixa as montanhas escuras do orgulho
e endireita as passagens tortuosas das culpas.

Assim,
plano e pleno,
vale aterrado e veredas alinhadas,
verás o musgo brotar na pedra
e terás a Paz.

Feliz Natal!

12.18.2009

Tudo me estende a mão
demasiado longe.
Como se em eclipse,
as sombras são maiores
que a nesga de luz.
As noites são tantas
e as vias escuras.
É quase impossível
tocar seus dedos azuis...

12.14.2009

Não, ela não o viu,
mas pressentiu
na sombra que a seguia,
algo mais além da ausência de luz.
Ouviu sussurros
que entremeavam a música.
Alguém tocou-lhe os ombros
e exalou o amor por transmigração,
passou adiante dos seus passos
e se perdeu na manhã ensolarada.
A moça dos olhos verdes
cismou beijos e despedidas.
Deu meia volta
(pois assim deveria ser)
e seguiu pela rua estreita,
em outra direção.

12.10.2009


Chove a pássaros
na tarde de volúpia.
Umidade de cântaros.

12.09.2009

Colhia capim barba-de-bode
em feixes e fantasias.
Tinha os olhos verdes do pasto
e o andar gasto
de moça antiga.
Tecia cestas de ovos
para vender na feira
e carregava nos lábios,
aquela insistente cantiga
de abandono e nostalgia.

12.05.2009

Esse verbo sempre
na primeira pessoa,
esse orgulho bobo,
essa mansidão escondida
sob a pele de lobo...

Essa fome constante,
e essa paz que não tens
no amor que te convém.
A fé indecisa que te impele
a seguir adiante...

Essa água benta de bilha,
que ora bebes,
ora asperges
nesse culto herege
a um deus de mentira.

12.04.2009


12.03.2009

Na vitrine espelhada
da loja deserta,
o eu que não conheço
está em oferta...

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