O lânguido passeio de pupilas amorosas, o sorriso mole de lábios trêmulos, o frêmito precoce do corpo que deseja fazem-me tão vulnerável como a linha que limita a praia, como a ave que a ventania adeja.
mais nada se move em cima do papel nenhum olho de tinta iridescente pressagia o destino deste corpo
os dedos cintilam no húmus da terra e eu indiferente à sonolência da língua ouço o eco do amor há muito soterrado
encosto a cabeça na luz e tudo esqueço no interior dessa ânfora alucinada
desço com a lentidão ruiva das feras ao nervo onde a boca procura o sul e os lugares dantes povoados ah meu amigo demoraste tanto a voltar dessa viagem
o mar subiu ao degrau das manhãs idosas inundou o corpo quebrado pela serena desilusão
assim me habituei a morrer sem ti com uma esferográfica cravada no coração
Meu canto é fechado. Eu canto pra dentro pra alegrar a alma, essa moça abatumada, que de tanto chorar poesia e pensar fotografando, não cabe mais dentro de mim.
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