Ao contrário dos outros homens em que as almas habitam o corpo, nele era diferente.
Seu espírito era senhorio da carne. E quem ficasse atento à sua passagem, poderia sentir o flanar de asas em lugar de gestos; compassos de música em lugar de passos, versos locando palavras.
Nem Mozart ou Bach comporiam com maestria esta melodia andante na hora morta da madrugada quando tudo silencia.
Semínimas de cristais batem na pingadeira e uma insistente colcheia malha a calha, como se o compositor dormisse os pés nos pedais.
Não há virtuose (Händell ou Chopin) capaz de despertar pássaros com tamanha suavidade, como esta música que solfeja a chuva e arpeja a noite, acordando a manhã.
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