7.26.2010

A suavidade com que ele ouvia a noite
era para a noite o próprio algoz,
pois a noite não se alimenta de coisas suaves.

7.24.2010

CORPO E ALMA

Ao contrário dos outros homens
em que as almas habitam o corpo,
nele era diferente.

Seu espírito era senhorio da carne.
E quem ficasse atento
à sua passagem,
poderia sentir o flanar de asas
em lugar de gestos;
compassos de música
em lugar de passos,
versos locando palavras.

7.06.2010


ODE À CHUVA

Nem Mozart ou Bach
comporiam com maestria
esta melodia andante
na hora morta da madrugada
quando tudo silencia.

Semínimas de cristais
batem na pingadeira
e uma insistente colcheia
malha a calha,
como se o compositor
dormisse os pés nos pedais.

Não há virtuose
(Händell ou Chopin)
capaz de despertar pássaros
com tamanha suavidade,
como esta música
que solfeja a chuva
e arpeja a noite,
acordando a manhã.

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