Nasci na noite em que dissipavam vaga-lumes. Tive por berço a terra eivada de grilos. Cresci como lagarta e ninguém ouviu meus gritos, no instante que desvencilhei de mim para despertar ninfa. Colori-me de azul em azul quando alguém soletrou meu nome com notas musicais. Habito agora esta cela de cimento e mofo. Pelas grades dos temporais, um homem de granito me beija o rosto.
Quando o ipê amarelo floresce em rendas de fino gosto, ao longo dos antigos trilhos, é como se alguns bailarinos da pintura de Matisse, dançassem como protagonistas desse singular balé de rua. Dançassem sem música ou bilros, dançassem como se ninguém pedisse.
escrevo-te pelo corpo sinto um arrepio uma vertigem que me enche o coração de ausência pavor e saudade teu rosto é semelhante à noite a espantosa noite de teu rosto!
Há nas últimas palavras, (quando de instantâneo te calas) muito da tristeza das aves reprimidas pelos temporais. Como se pressentisses algo de despedida. Como se a música cessasse antes dos acordes finais.
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